2003  

Lucas Bambozzi | Em busca do tempo perdido

Só o nome de Lucas Bambozzi já dispensaria maiores apresentações entre nós, mas nunca é demais contar que, além de cineasta, videomaker e, mais recentemente, VJ, ele também organiza mostras e produz textos a partir de reflexões sobre a mídia-arte.

O artista vem gravando imagens em vídeo desde o final dos anos 1980. Desde então, coleciona cenas de eventos, acontecimentos, situações íntimas, sempre investigando os limites entre o público e o privado ou, ainda, questionando os limites entre a loucura e os parâmetros de normalidade, enfim, trazendo às telas o universo do bizarro, do caricatural e, por vezes, o insólito, fornecidos pelo território da urbanidade. Assim, Lucas constituiu uma relação de cumplicidade com a câmera que se tornou não somente um prolongamento dele próprio, mas também um instrumento de mediação entre realidades distintas.

Algumas destas imagens (menos de 10%) tornaram-se obras em vídeo; porém, na sua maior parte, ainda permanecem confinadas, sem nunca terem tido o privilégio de encontrar sequer um espectador, quanto mais o de se constituírem em linguagem ou poética.

Como no romance de Proust, Em busca do tempo perdido, Bambozzi resiste e reluta, pois não quer, para si, o sentimento conformista que se apossa do célebre protagonista no final do romance. Para Bambozzi, o final desta obra evoca um certo conformismo revestido de tristeza ou melancolia, talvez a tristeza de ter deixado o tempo passar... assim, é como se - por meio do roteiro a ser esboçado pelo arcabouço de imagens coletadas - o artista pudesse recuperar as emoções e os sentimentos impregnados nesse imaginário armazenado ao longo de anos. É como se Lucas resgatasse, em tempo e com a vida pela frente, fragmentos de si próprio, podendo se rever como um todo. Na verdade, este será um trabalho de seleção e edição que coloca o processo artístico como parte indissociável da sua obra - questionar e revirar processos, dar visibilidade a eles, situar-se melhor diante do que faz. Enfim, um processo de releitura em que o artista vislumbra a possibilidade de ver o seu 'tempo recuperado'.

>> Imagens

curriculum
Lucas Bambozzi (Matão, 1965)

Graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela UFMG. Cursa mestrado em Filosofia (MPhil) no Centro CAiiA-STAR no Reino Unido. Trabalha em várias mídias e suportes, tendo construído ao longo dos últimos 13 anos um corpo consistente de obras em vídeo, filme, instalação, Internet, CD-ROM e outros projetos interativos sendo freqüentemente premiado e com exibições em cerca de 30 países.

Principais exposições

25ª Bienal de São Paulo. Meta4Wall. São Paulo-SP.
2000 18º World Wide Vídeo, Arti et Amicitiae. Private Conversation. Amsterdam, Holanda.
2000 7ª Bienal de La Habana. Instalação Atópicos. Obra Misplaces. Havana, Cuba.
1999 Crossing the Border, Centro Podewil. Obra: Panorâmica do autor. Berlim, Alemanha.
1997 Arte/Cidade III - A Cidade e Suas Histórias. Obra Subterrâneo. São Paulo, SP.

Videofilmografia
2002 Aqui de Novo. Vídeo experimental, 6'.
2001 O Fim Do Sem Fim. Documentário de longa-metragem, 93'.
2000 Postcards. Webvideos e instalação.
1999 Eu Não Posso Imaginar. Vídeo experimental, 22'.
1997 Ali é Um Lugar Que Não Conheço. Videopoema, 6'.
1992 Love Stories. Vídeo experimental, 6'.

Principais prêmios e bolsas

2002 Bolsa Vitae de Artes, Fundação Vitae. Projeto 4Walls.
2001 Fictions du Réel. Produção mais inovadora: O Fim do Sem Fim - FID Fest. Int. du Documentaire. Marselha, França.
2001 Prêmio Carlton Arts. Projeto Cartões Postais.
2000 Grande Prêmio Locarno VideoArt Festival - 1º Prêmio. Vídeo I Have No Words. Locarno Suissa .
2000 Bolsa Virtuose, Ministério da Cultura. Residência artística no Centro CAiiA-STAR, Reino Unido.
1996 Bolsa Vitae de Artes. Fundação Vitae. Projeto Tormentos.

ficha técnica
Tempo Recuperado | 2004 | Videoinstalação com cinco projeções

 
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