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2004 |
Rodolfo Caesar | 3 CLIPS
Três videoprojeções sonorizadas apresentam sensações de estranhamento por parte do artista. São estranhamentos a partir de uma reflexão sobre três culturas: a da Londres dos nossos dias, a da Londres da Revolução Industrial e a do Rio de Janeiro atual. Para o artista, cuja formação básica é a musical, o fato do trabalho conjugar vídeo e trilha sonora apenas traduz um procedimento da arte contemporânea: o trabalho é multisensorial, a mídia não importa. O limite da música se amplia para outros sentidos, como a visão. Alerta às proposições Duchampianas e às de John Cage, critica o ideal de pureza e da arte absolutos, postulados por pensamentos românticos, e refuta as “camadas puras” da arte. Clips, Domingo e Steve Lá são três vídeos filmados e sonorizados por ele com a ajuda da web designer Larissa Pschetz, de 24 anos.
O primeiro vídeo reflete o seu estranhamento a respeito da invasão do Iraque e refere-se às experiências atômicas desenvolvidas pelos EUA. Caesar estava em Londres no momento em que Toni Blair apoiava a invasão do Iraque por parte do presidente americano Bush. O segundo vídeo, Domingo, revela seu espanto com o aspecto sinistro do lugar onde vivia: um canal na cidade de Stocke que teria sido uma das artérias da Revolução Industrial: vários produtos saíram do país por lá. Havia também ali minas de carvão, e o cheiro do lugar, a escuridão e o estranho brilho fizeram-no pensar nos trabalhos pesados que ocorriam naquele lugar, causando-lhe espécie perceber que uma das minas de carvão que visitou se transformara em museu. O terceiro vídeo, Steve Lá, é uma “homenagem” ao prefeito carioca César Maia, um comentário que se enceta a partir de uma política cultural instituída por ele: quando o prefeito indicou o nome do Miguel Falabella para ser assessor cultural, esperava que o ator pudesse propor eventos artísticos para o Rio de Janeiro que se assemelhassem ao padrão dos espetáculos da Broadway. E, assim, foi criado o vídeo Steve Lá. Ao interligar os três vídeos, essa obra conjuga imagens dramáticas com imagens repletas de ironia. A relação entre as imagens e os títulos também são pistas que nos conduzem ao universo do irônico e do satírico, gerado pelo estranhamento de Rodolfo Caesar.
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curriculum
Rodolfo Caesar estudou no Instituto Villa-Lobos com Reginaldo Carvalho e no GRM/Conservatoire de Paris, com Pierre Schaeffer, doutorando-se na Inglaterra. Cursou filosofia na UFRJ. Atuante em música eletroacústica desde 1976, foi fundador do Estúdio da Glória, no Rio, onde lecionou e compôs, professor no Conservatório e na Estácio, produtor de programas (FM Eldo-Pop e Rádio Roquette-Pinto),
e coordenador, produtor e intérprete em eventos no Brasil e no exterior. Obras premiadas em concursos e encomendadas: Arts Council of Great Britain, Arts Council of England, Sonic Arts Network, INA/GRM, Vitae e RioArte. Professor e pesquisador do CNPq na Escola de Música da UFRJ, coordenando seu Laboratório de Música e Tecnologia, RC não se conforma com uma música refém da universidade, trabalhando em parceria com artistas de outras áreas e experimentando com diversas mídias e situações.
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ficha técnica
Título: 3 CLIPS
Música eletroacústica com imagens visuais
Duração: 11 minutos
Ano: 2002 e 2003
- Clips (outubro de 2002)
Direção, argumento, roteiro e música: Rodolfo Caesar
- Domingo (julho de 2003)
Direção, argumento, música e fotos: Rodolfo Caesar
Roteiro: Liliza Mendes
- Steve lá (julho de 2003)
Direção, argumento e música: Rodolfo Caesar
Roteiro e animação: Larissa Pschetz
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