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2004 |
André Parente | Figuras na Paisagem
O artista propõe a realização de uma instalação-documentário, encetada a partir da interatividade: um dispositivo do tipo joystick é disponibilizado para o espectador interagir com a obra em três níveis de navegação. Uma paisagem urbana se encontra no primeiro nível. Acionando o joystick pela segunda vez, o espectador percebe que ela contém uma série de pequenas paisagens naturais que se abrem em forma de mosaico, constituindo um segundo nível de navegação. No terceiro nível, ao ser acionado o joystick, as paisagens naturais se desdobram em rostos. O joystick, dispositivo que se assemelha a um mouse (com mais precisão), é uma interface algorítmica de multiresolução, que mantém o nível de definição da imagem mesmo que se faça uma aproximação (zoom) e a mesma se dilate.
Imbuída da proposta de invenção por meio do joystick que constitui a novidade tecnológica e propõe a interatividade, essa obra vai além da tecnologia. A hibridização entre imagens e sons (vozes) estabelece uma relação de temporalidade que dependerá do ritmo em que o usuário comandar o joystick. Assim, cada pessoa encontrará o seu lugar na instalação. A obra não é feita com um programa pré-existente. É na relação com o espectador que ela acontecerá. Essa é uma obra verdadeiramente contemporânea, que se distancia da obra moderna: supera o fator tecnológico e adentra o campo dos imaginários pessoais em busca de outras subjetividades.
A terceira instância de navegação, que contém os rostos, remete-nos ao conceito de “rostidade” (Gilles Deleuze) como forma de subjetivação. Para o filósofo, em última instância, o rosto seria um sistema aberto a diferentes circunstâncias e possibilidades. Para Parente, as noções de micro/macro, a percepção de que uma imagem pode gerar outras imagens, a relação do contínuo/descontínuo que remete à ordem/desordem, à poética do fractal, ao mítico Proteu, camaleão, interstício e mutação se dobram e se desdobram em dimensões e freqüências diferentes, correspondências e coexistência múltiplas; são possibilidades de abordar a paisagem urbana caótica, mostrando que ela é formada de muitas paisagens singulares e deslocamentos.
O que Parente sugere com a poética do fragmento é, na verdade, a implosão da obra como centro e totalidade. Exprimir o caos sem reduzi-lo. Convidar o espectador a tornar essas paisagens partes de suas vidas; “afastar o monstro da totalidade lembrando que uma imagem sempre pode conter uma outra, ou remeter a outra imagem”.
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curriculum
Sabinópolis, MG, 1957. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ.
Artista e pesquisador de audiovisual e de novas mídias. Entre 1977 e 2004, realizou inúmeros vídeos, filmes e instalações, nos quais predominaram a dimensão experimental e conceitual: O Homem do Braço e o Braço do Homem, em parceria com Letícia Parente, no Open Reel, de 1977; Os Sonaciremas (35 mm), de 1979; Curto-circuito (35 mm), de 1980; Na Arte, Nada se Perde, Nada se Cria, Tudo se Transforma (35 mm), de 1980/82; Situações Encontradas (Betacam), de 1993; Visorama: Paisagem Carioca, instalação interativa, de 2000, e Entre Margens, videoinstalação, de 2004. De 1982 a 1987, doutorou-se em Paris, sob a orientação de Gilles Deleuze (Narrativa e Modernidade. Papirus, 2000). Desde então, escreveu vários livros sobre o audiovisual e as novas mídias: Imagem-máquina. A era das tecnologias do virtual, em 1993, Sobre o Cinema do Simulacro, em 1998, O virtual e o Hipertextual, em 1999 e Tramas da Rede, em 2004. Atualmente, coordena o Núcleo de Tecnologia da Imagem (N-Imagem) da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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ficha técnica
Título: Figuras na Paisagem
Ano: 2004/5
Materiais: Joystick; Computador Pentium IV, 2Ghz, 512 MB RAM, HD 120 GB, placa de vídeo N-Vidia com 128 MB; Projetor de1600 lumens ou mais.
Equipe: Diretor artístico: André Parente; Coordenador de tecnologia: Luiz Velho;Computação gráfica: Sergio Pinheiro; Design de Som: Fernando Moura; Edição e programação visual: Aline Couri.
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